RÁDIO RENASCENÇA – ANDRÉ RODRIGUES

15 de dezembro de 2015

::

Reino Unido é o principal país de destino. Ainda assim, é inevitável perguntar: regressar a Portugal, sim ou não? A Renascença falou com um enfermeiro que, depois de vários trabalhos precários em Portugal, decidiu sair e não conta voltar nos próximos tempos.

A Ordem dos Enfermeiros estima que seja cada vez maior o número de profissionais que rumam ao estrangeiro em busca das oportunidades profissionais que não encontram em Portugal. Sejam recém-licenciados ou mais experientes. Reino Unido continua a ser o principal país de destino.

Foi em 2012 que José Magalhães, na altura recém-licenciado em enfermagem decidiu ir trabalhar para o Reino Unido. Com ele, Ana, a mulher, também enfermeira, fez as malas e partiu. Ambos à procura da carreira profissional que por cá seria praticamente impossível de concretizar.

Em Portugal, o mercado de trabalho não dava quaisquer perspectivas de futuro. Quem entra de novo nesta profissão tem, normalmente, uma de duas opções: ou aguenta numa situação de desemprego por tempo indefinido ou aceita a precariedade como porta de entrada no mercado do trabalho.

José começou assim. À Renascença conta que conseguiu “pequenos trabalhos em Portugal, mas eram muito precários, por isso decidi emigrar para Inglaterra”.

Foi lá que este casal de jovens enfermeiros encontrou estabilidade. Profissional e financeira. José e Ana trabalham no mesmo hospital, em Chelmsford, a cerca de 50 quilómetros de Londres.

Sentem a falta de muita coisa, “a começar pela família”. Mas, à medida que o tempo passa, José sente-se cada vez mais adaptado “à nova cultura, à cidade e ao hospital”.

A facilidade linguística “ajuda muito”, diz José Magalhães. Por outro lado, “estamos a 20 minutos do aeroporto de Stansted”, donde o casal apanha um voo de baixo custo até ao Porto, onde residem os pais.

Contas feitas, “são duas horas de viagem de avião”. José reconhece que, “se estivesse em Portugal a trabalhar noutra cidade, por exemplo Lisboa, o tempo que demorava era praticamente o mesmo”.

Regressar a Portugal?

Ainda assim, é impossível evitar a pergunta: regressar a Portugal, sim ou não? E quando? José Magalhães lamenta, mas não acredita que isso vá acontecer nos próximos tempos. Pensando na carreira, este enfermeiro de 27 anos admite que um regresso a Portugal seria um retrocesso, “principalmente tendo em conta a progressão de carreira que aqui nos oferecem”.

De acordo com os dados mais recentes da Ordem dos Enfermeiros, Portugal forma entre 3.000 e 3.500 enfermeiros por ano. Em 2013, pouco mais de 1.200 começaram a trabalhar no Reino Unido, que continua a ser o principal destino de emigração destes profissionais.

Olhando aos últimos seis anos, pelo menos 12.500 enfermeiros saíram de Portugal à procura de oportunidades profissionais no estrangeiro. Um movimento acompanhado pela crescente procura de enfermeiros portugueses por parte das instituições de saúde de diversos países, da Europa ao Médio Oriente.

Esta terça-feira, a Ordem dos Enfermeiros vai a votos. Mais de seis mil enfermeiros escolhem entre os sete candidatos que concorrem ao cargo de bastonário para o triénio 2016-2019.

«http://rr.sapo.pt/noticia/41974/emigraram_12500_enfermeiros_desde_2009»