JORNAL EXPRESSO – VIRGÍLIO AZEVEDO

5 de dezembro de 2015

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Emigração qualificada disparou com a crise, mas dados oficiais mostram que investigadores estão a aumentar.

Chama-se Euclid e é um projeto da Agência Espacial Europeia que irá lançar um telescópio espacial em 2020. Durante seis anos vai mapear a estrutura em larga escala do universo — dois mil milhões de galáxias e a matéria escura associada (matéria não detetada no espetro da luz visível) — e revelar 3/4 da história da sua formação e expansão. Em Portugal, 25 cientistas do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e de várias universidades têm estado envolvidos no projeto, que pertence a uma área muito competitiva a nível internacional: a astrofísica. Mas este grupo está agora reduzido a 20 pessoas. Será uma consequência dos cortes no financiamento à ciência com a crise? Parece que sim. Analisemos o  que se passou com os cinco investigadores que saíram (20% do total). O primeiro, com vários anos de doutoramento, tinha um contrato de cinco anos com a Fundação para a Ciência e Tecnologia que terminou. Como não encontrou saídas profissionais em Portugal, emigrou para a África do Sul. Havia também três alunos de doutoramento neste grupo. Um deles abandonou a área da investigação, outro emigrou para Espanha e o terceiro para França. Por fim, um investigador com uma bolsa de pós-doutoramento que acabou, obteve nova bolsa no Reino Unido. “Num cenário de melhores condições profissionais, estou convencido de que um dos investigadores que se foi embora teria ficado em Portugal, mas não se pode dizer que os outros emigraram devido à crise ou às restrições atuais”, constata António José da Silva, coordenador nacional do projeto Euclid. “A astrofísica é uma área muito competitiva e a mobilidade é uma situação normal em termos de carreira, em particular nos alunos de doutoramento”. Isto significa que eles poderão regressar a Portugal? “Temos esperança não apenas de recuperar estes investigadores como de atrair outros para o projeto Euclid, que vai durar mais de dez anos.”

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